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A Caixa
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Chicago "I've made it," she said, "I've come through." she had on new boots, pants and a white sweater. "I know what I want now." she was from Chicago and had settled in L.A.'s Fairfax district. "you promised me champagne," she said. "I was drunk when I phoned. how about a beer?" "no, pass me your joint." she inhaled, let it out: "this isn't very good stuff." she handed it back. "there's a difference," I said, "between making it and simply becoming hard." "you like my boots?" "yes, very nice." "listen, I've got to go. can I use your bathroom?" "sure." when she came out she had on a large lipstick mouth. I hadn't seen one of those since I was a boy. I kissed her in the doorway feeling the lipstick rub off on my lips. "goodbye," she said. "goodbye," I said. she went up the walk toward her car. I closed the door. she knew what she wanted and it wasn't me. I know more women like that than any other kind. Charles Bukowski, in Love is a Dog from Hell
também digo "mamas", mas não nos encontros. uma vez uma rapariga expôs as minhas mamas baixando o decote do meu vestido, porque eu não tinha soutien. as minhas mamas mais tarde ofereceram-se às mãos dela perto do balcão de um bar. (desfoco) e aos lábios quando novamente expostas (as mamas) na casa-de-banho. recordo as pessoas aborrecidas, batendo na porta impacientemente até ao orgasmo exposto (isto é: sonoro) que me deu com a língua, enquanto as mãos nas mamas às vezes os lábios alternando entre um lugar e outro, e os meus. no fim, escreveu o número de telefone à volta de um dos meus mamilos com uma caneta de tinta permanente.
coisas perdidas I escondo-me. escondo-me da capela fechada, mas onde a possa observar, de longe, nas sombras. perto da capela encontra-se para exposição um rosto de cera derretido e ouvem-se com esforço todas as preces inúteis que foram feitas noutras horas, e depois atiradas a fogueiras feitas em ruas proibidas. ainda não fui. ainda permaneço. os dedos morrem demoradamente numa fotografia, e a boca, a mastigar teclas sem sabor, tenta cegar os becos onde nos deixaram, rodeados de vidro quebrado, para sabermos que a fuga nos custaria, pelo menos, parte da nossa pele. ouço músicas de outro tempo que não reconheço ter-me pertencido, e no bolso tenho guardadas as chaves de todos os olhos, excepto dos teus. acendo velas que páram o tempo noutro sorriso. tão imperfeito. tão puxado a correntes. tão nada teu. quando o último fósforo se esgota, surges de repente, por trás da melancolia de uma espera. evaporo num sonho de ti. renasço noutros lençóis.
a renda quero ir a um encontro, para vestir um vestido e pintar os olhos. para mexer no cabelo e passar os dedos perto dos seios enquanto cruzo as pernas. expirar o fumo dos cigarros e os olhos em direcção ao tecto. para tocar na tua mão e fingir que por acidente. para falar de interesses e de aspirações. para poder molhar os lábios e os possas sentir arder. para o meu corpo rejuvenescer deste amor eterno que surge e que termina com o orgasmo. ou com a verdade. na verdade eu quero ir a um encontro para poder sobretudo aveludar a voz. (este poema teve uma resposta aqui)
velas azuis a provocar incêndios tu foste lentamente habitando o meu quarto sem que eu me apercebesse que lá estavas pensei que tivesses ido embora quando o teu cheiro mudou, eu lembro-me que o teu cheiro mudou, já não era o cheiro do meu amor, era o cheiro de outro homem, e eu não queria que esse homem fizesse amor comigo ou fosse comigo ao cinema, eu precisava de tomar banho para retirar esse homem de mim, sabes, eu odeio ter o cheiro de desconhecidos no corpo. talvez o meu cheiro também tenha mudado, mas tu não te importaste. eu pensei que o meu amor tinha morrido com o teu cheiro, e o meu quarto foi perdendo espaço, os móveis cada vez mais próximos uns dos outros, a cama, mal dando para mim, tu, a prender-me os movimentos, mas ainda cabendo, cabendo para ti e para todos os outros. eu amei-te quando te queria amar, e quando não queria o teu cheiro mudou, as tuas mãos pareciam outras, os gritos, durante a noite, porque tu, porque eu, os amantes, porque eu, porque tu, porque o amor, a dizer-me que eu posso querer. agora que o meu quarto tem espaço, não cabe lá mais ninguém, por muito que eu queira, sabes que eu sempre amei porque quis, e eu ouço-te respirar, perto do peito, sem nunca te conseguir ver. às vezes acendo um cigarro e quase vejo os contornos do teu rosto. sempre que te tento abraçar, o fumo desvanece, e eu volto a encostar-me à parede, a gritar o teu nome tão furiosamente, que toda a gente, se visse, diria que algures na minha cabeça, eu estou doente.
恋人 a saudade é eu querer que estivesses ausente só por um instante.
423 tenho tido sonhos recorrentes acerca da realidade
do regresso.
e muito medo de adormecer.
é como se por agora é que o meu corpo estivesse adormecido, na minha cama em Santarém, embrulhado em braços até ao nariz, e eu estivesse à espera que ele morresse, para poder ocupar outra vida no regresso.
como se isso pudesse acontecer.
caixinha prateada O meu mundo gira dentro de uma caixinha prateada...nessa caixinha estão os sonhos, as promessas, os sentimentos, a esperança e as pessoas. Mas as pessoas não são só pessoas, são os amigos de sempre e para sempre, aqueles em que não temos frio quando estamos em sua companhia. São aqueles amigos que travam a onda de lama da falta de amor do mundo, são aqueles que nos dão esperança da realidade de amar o outro. Quando estou com eles sinto-me em casa, sinto-me dentro do ventre da mãe protectora, que ama incondicionalmente seu filho, sem motivo ou credo. É por isso que peço aos deuses do céu, do mar e da terra que não afastem de mim quem eu amo…tenho muitos sonhos na vida, mas dos mais importantes é poder ser velhinha e estar junto das minhas libelinhas, minhas acompanhantes e amigas de toda uma vida. Aqui fumaremos cigarros tossindo um catarro já antigo e beberemos chá de maçã e canela ou então moscatel de Setúbal. Sentadas as três moças velhas, nos cadeirões grandes que balançam, tapadas com mantas que cobrem as pernas cansadas. Aqui iremos rir em conversas de tempos de liceu. Aí sim a minha caixinha prateada terá sentido, pois esse momento significará que amei e fui amada….
我想爱 a minha casa ardeu, recentemente. sem óbitos, porque tudo aconteceu no momento em que fomos passear, após o jantar. a noite estava quente. no entanto, nós não estávamos. a cozinha foi a única divisão que sobreviveu, e mantivemo-la para que pudéssemos realizar espectáculos, performances. lembro-me de numa noite ter sido uma recriação da lady in the radiator. não me recordo de muito mais. sei que não chorei. a partir de 25 de agosto deixarei o meu nome para trás, e passarei a chamar-me, obrigatoriamente, sangdela (桑德拉). 桑 (sang) significa amoreira. tenho flores que se comparam a estrelas, e frutos de sangue apaixonado. 德 (de) significa virtude, bondade,ética, moral, carácter. 拉 (la), na verdade, é um carácter que não me apraz. é comummente utilizado para designar o acto de puxar, embora tenha mais significados. talvez esteja na altura de me recriar. deixar a Sandra e as palavras da Sandra, torná-las as palavras da Sangdela. nas palavras do sangue dela. por fim, construir, não reconstruir, porque isso implicaria o renascimento de, um lar. a minha casa ardeu mas eu não sei se alguma vez ela existiu. ou se parou de arder.
porque no Brasil...
aproxima-se um aniversário e eu desejo não regressar, não celebrar, a minha idade já me incomoda. sou um artefacto muito muito antigo? não diria antigo, diria mesmo velho sou um artefacto muito muito velho nunca quis ter filhos, abandonei a minha família e não voltei a dar notícias, perdi o contacto com os poucos amigos que me restavam, restar o que me resta agora são as plantas (sim, já consigo tomar conta de plantas) a minha avó costumava dizer que se falares com as plantas elas entendem e respondem e eu de vez em quando leio poemas para as plantas como fazia com ela no Jardim Botânico. elas vão ficando mais bonitas, mais vivas. resta-me o chá, que sobra sempre... sobrar há muitos anos deixei o meu amor sobrar agora não sei onde estão as sobras ou se ainda servem ou podem servir algum propósito sobra-me o tempo, restam-me as rugas resta-me queijo, sobram-me os lugares na mesa sobra-me a melancolia, restam-me as plantas (essas que, pelo menos, entendem.)
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